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Sábado, 22 de Setembro de 2012

Bad Boy ~ 9

            - Adeus. – Disse eu, abrindo a porta.

            - Espera. – Disse Mateus, agarrando-me o braço, suavemente.

            Eu olhei para ele e ele largou o meu braço.

            - Desculpa, outra vez. Eu entendo que não queiras falar mais comigo…

            - Amanhã eu ligo-te. Eu estou cansada e atordoada e não consigo pensar muito bem. Amanhã decido se quero continuar a falar contigo ou não.

            Eu saí e fechei a porta. Dirigi-me à porta de entrada e rodei as chaves e antes de entrar em casa, olhei para trás e vi que o Mateus ainda não tinha arrancado. Olhava-me, sorrindo ligeiramente. Eu entrei em casa e só aí é que ouvi o barulho do carro a arrancar. Subi as escadas e fui para o meu quarto. Estava com muito sono por isso vesti uma t-shirt e uns calções o mais depressa que consegui. Penteei o cabelo e retirei toda a maquilhagem. Deitei-me na cama e em poucos segundos adormeci.

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            Nesse dia, acordei com o sol a bater nos meus olhos. Demorei algum tempo a acordar por completo. Virei-me e vi que já era quase 11h00. Levantei-me e vesti umas calças de ganga escura e uma t-shirt com a bandeira inglesa estampada na frente. Penteei-me e fiz a cama. Fui comer algo, apesar de não estar com fome. Depois de tomar o pequeno almoço, fui buscar o meu telemóvel e sentei-me no sofá da sala, olhando para o visor, sem saber se havia de lhe ligar ou não. Quase instintivamente fui à lista de contactos e liguei para o Mateus. Depois de alguns toques ele finalmente atendeu.

            - Estou?

            - Olá Mateus, sou eu.

            - Ah, Francisca. Estás melhor?

            - Sim, estou.

            - Então, vamos continuar a falarmo-nos ou vais esquecer que eu existo?

            Pensei durante alguns segundos e quando estava prestes a falar, ele falou em vez de mim.

            - Eu gosto muito de ti. Mesmo muito. E gostava que soubesses que o meu mundo e a minha vida não são iguais à vida de qualquer outro rapaz de 18 anos. Mas apesar de tudo, gostava de te ter na minha vida…

            - Eu vou continuar a falar contigo. Eu sei que a tua vida não é um mar de rosas mas eu também gosto muito de ti e não quero saber se a tua vida é complicada ou não. Eu sinto-me segura contigo.

            Seguiu-se silêncio que durou pouco tempo.

            - Posso ir a tua casa? – Perguntou ele.

            - Podes.

            Mateus desligou a chamada e eu fiquei ali, sentada no sofá, a olhar para o vazio, à espera dele. Depois de alguns minutos, a campainha tocou e eu fui abrir a porta. Era ele. Usando uma t-shirt preta, umas calças de ganga e umas All Star Converse pretas. Ele sorria, encantadoramente, e eu sorri também, ao ver aqueles olhos e aquele sorriso que me hipnotizavam. Fiz-lhe sinal para entrar e ele entrou, ficando ao meu lado enquanto eu fechava a porta. Assim que me virei, ele estava a centímetros de mim e os nossos narizes quase se tocavam. Senti a temperatura do meu corpo a subir e em segundos, já estava vermelha e com a respiração ofegante. As palmas das minhas mãos suavam e eu engoli em seco. Ele reparou na minha reação e sorriu maliciosamente. De seguida, juntou os seus lábios aos meus, num beijo suave. Entrelacei os meus dedos nos cabelos dele e ele agarrou a minha cintura puxando-me mais para ele. O beijo tornou-se mais forte e apaixonado. Em momentos, quase como adivinhando o pensamento um do outro, abrimos as nossas bocas e ficámos ali, durante 1 ou 2 minutos desfrutando de um autêntico french kiss. Quando finalmente nos separámos, ele olhou-me nos olhos e eu fiquei vermelha outra vez. Olhei para baixo e ele abraçou-me. Enquanto estávamos entrelaçados, ele sussurrou-me ao ouvido:

            - Eu adoro-te.

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Passaram 9 dias e a nossa relação é fantástica. Estamos juntos todos os dias e não poupamos em beijos e carícias. Já nos conhecemos melhor mas mesmo assim ainda há algumas pontas soltas.

De manhã, perto da hora de almoço, o Mateus veio ter comigo a minha casa e eu aqueci uma pizza. Enquanto almoçávamos, no sofá, vendo televisão, eu puxei um assunto que me intrigava bastante.

- Nunca me falaste muito da tua família.

Este assunto deve tê-lo deixado bastante perturbado pois pousou a fatia de pizza que estava a comer e notei que a sua expressão facial tinha mudado. Agora, estava sério e triste.

- O que foi? – Perguntei, preocupada.

Ele virou-se para olhar para mim de frente e suspirou.

- A nossa relação é muito boa e eu não quero ter segredos. Queres mesmo saber coisas sobre a minha família?

Eu acenei a cabeça afirmativamente, mas algo a medo, pois tinha receio de que falar disto pudesse magoá-lo.

- Então eu vou contar-te tudo. Um dia, 4 anos atrás, como era costume, eu e a minha irmã mais nova, a Carlota, 2 anos mais nova que eu, íamos juntos para a escola. Mas naquele dia, eu tinha-me esquecido do meu telemóvel em casa de um amigo meu, também deste… meio. Fomos os dois a casa desse meu amigo buscá-lo e enquanto lá estávamos, a casa foi tomada de assalto por um dos muitos inimigos desse meu amigo. Eu disse à Carlota para se esconder e eu e o meu amigo disparávamos as armas com uma força tão grande com num instante estavam todos no chão, lavados em sangue. Eu não tinha visto para onde a minha irmã tinha ido por isso procurei-a por todo o lado e…

Naquele momento, ele olhou para baixo e eu pude ver uma lágrima a escorrer pela sua cara. Eu dei-lhe a mão, encorajando-o. Ele continuou a falar, ainda com a cabeça baixa.

- Encontrei-a atrás do sofá, completamente inanimada, com um tiro na cabeça. Eu e o meu amigo fugimos dali o mais depressa possível para não sermos apanhados pela polícia. A partir desse dia, os meus pais descobriram que a culpa tinha sido minha e o meu pai expulsou-me de casa. Fui viver com os meus amigos e nunca mais falei com a minha família desde então. Eu tenho um irmão com 15 anos e às vezes vejo-o a ir para a escola mas ele não me vê. Mas não vejo os meus pais à 4 anos.

Não sabia o que dizer. Estava a controlar-me bastante para não chorar. Depois de uma história assim, só me apetecia chorar, mas tinha de me manter forte por ele. Ele olhou para mim e eu vi que estava a chorar desalmadamente. Eu abracei-o até que ele parasse de chorar. Alguns minutos depois, libertámo-nos um do outro e eu olhei-o nos olhos, dizendo:

- Vai ficar tudo bem. Tu és forte e vais ficar bem.

Ele sorriu, algo contrafeito, e eu sorri também, encorajando-o. Ele aproximou-se de mim e beijou-me. A seguir a esse beijo apaixonado, eu deixei escapar as palavras que estavam na minha cabeça desde o dia anterior.

- Quero que conheças o meu pai.

Ele ficou a olhar para mim com uma cara um pouco estranha. Estava surpreendido mas também parecia assustado. No entanto, feliz.


Maятa às 19:17

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1 comentário:
De francis marie a 23 de Setembro de 2012 às 13:01
Adorei!
A historia dele é tão triste :'c


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