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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2012

Bad Boy ~ 7

            A mensagem acabou e eu não sabia o que fazer. A Rute não tinha mudado de ideias e eu também não e se eu lhe ligasse íamos discutir. Mas também não queria deixá-la preocupada e com medo. Decidi ligar-lhe e se começasse-mos a discutir, eu desligava a chamada. Depois de alguns toques, Rute atendeu.

            - Estou? – Disse ela.

            - Estou, Rute?

            - Francisca! Estava tão preocupada contigo! Porque é que não atendeste o telemóvel?

            - Não ouvi, devia estar no silêncio, desculpa…

            - Eu queria pedir-te desculpa de tudo aquilo que disse sobre o Mateus mas eu preocupo-me muito contigo e só quero o melhor para ti.

            - Rute, ele é uma pessoa fantástica e tu não tens razões para não gostar dele.

            - Qual é a parte de ‘Ele é um criminoso’ que tu não entendes?

            - Há provas disso?

            - Não, mas-

            - Então deixa-te dessas coisas porque eu gosto dele e ele gosta de mim, por isso deixa-me em paz! - Interrompi eu.

            E com isto desliguei a chamada. Pousei o telefone no devido lugar e fui à cozinha buscar um copo de água, para me acalmar. Estava bastante nervosa com esta situação e não sabia o que fazer. Enquanto bebia um pouco da água no copo de vidro, lembrei-me das palavras que o meu pai me disse, quando nos despedíamos, no nosso almoço:

            “Sempre que precisares de alguma coisa, a qualquer hora e em qualquer lugar, eu estou aqui para ti. Liga-me e nós falamos, não interessa o que eu esteja a fazer. És a minha filha e precisas de mim.”

            Fui para a sala, sentei-me no sofá, tirei o telemóvel e fui à lista de contactos. Quando finalmente encontrei o número, premi a tecla de chamada e depois de alguns toques, finalmente atendeu.

            - Estou?

            - Estou, pai? Preciso de falar.

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            Era sexta – feira à noite e o meu encontro com o Mateus estava a poucos minutos de acontecer. Não sabia o que vestir, e estive alguns minutos parada a olhar para o meu guarda-vestidos aberto, sem saber o que fazer. Decidi-me pelo vestido vermelho curto, em que o top parecia um corpete. Calcei os peep toes pretos que eu adoro e encaracolei o cabelo. Não sabia se havia de usar algum acessório no cabelo, por isso coloquei todos os outros acessórios que achava ficarem bem e depois via-se. Pus uma pulseira prateada de metal que parece uma corrente e pus outra pulseira preta em massa, fina que ficava perfeita neste conjunto. Não pus muita maquilhagem, apenas eye liner preto, base e baton vermelho. Preparei a minha mala preta pequena e vi-me ao espelho de novo, vendo se estava tudo perfeito. Não necessitava de nenhum acessório no cabelo por isso respirei fundo, acalmando os nervos e desci as escadas, indo para a sala, ver televisão. Passado pouco tempo, ouvi a campainha a tocar e olhei para o relógio e vi que o Mateus tinha chegado mesmo à hora combinada nessa manhã. Levantei-me e fui abrir a porta. Mal vi aquele sorriso maravilhoso, sorri também. Ele vinha com umas calças de ganga preta e uma t-shirt cinzenta e um blusão preto, calçando umas all star converse brancas. Ele olhou-me de cima a baixo e eu fiquei um pouco envergonhada.

            - Estás muito bonita. – Disse ele, olhando-me nos olhos.

            - Obrigada. Tu também estás muito bem. Eu vou lá acima buscar as minhas coisas, queres entrar?

            - Não, deixa estar. Eu espero aqui fora.

            Eu sorri e subi as escadas, entrando no meu quarto e agarrando a minha mala, saindo apressadamente. Desci as escadas e fui ter com o Mateus, fechando a porta atrás de mim. Andamos juntos durante algum tempo, sem falar, dirigindo-nos para o restaurante onde ele tinha feito reserva. Passado algum tempo, aquele silêncio tornara-se estranho. Então decidi dizer alguma coisa.

            - Então, depois do jantar o que é que vamos fazer?

            - Talvez irmos ao cinema?

            - Nunca te disseram que se deve ir ao cinema antes do jantar? É um truque. Assim temos o que falar ao jantar.

            - Pois, mas eu acho que temos muitas outras coisas para falar ao jantar.

            - Tipo o quê?

            Depois de algum tempo a pensar, ele respondeu.

            - A qualidade do pão.

            Rimo-nos os dois.

            Alguns minutos depois, estávamos a entrar no restaurante e assim que nos sentamos, o empregado veio dar-nos as ementas e esperou ao pé de nós enquanto decidíamos. Depois anotou os nossos pedidos. Enquanto a comida não chegava, eu decidi começar uma conversa.

            - Então, gostas do pão? – Disse eu, rindo-me.

            - Sim, é muito bom. – Respondeu ele, rindo-se também.

            - Depois do jantar vamos ao cinema ver o quê?

            - Aquilo que tu quiseres. Eu não sei o que gostas de ver.

            - Mas eu também não sei o que tu gostas de ver. Eu gosto de todos os tipos de filme. Exceto terror!

            - Então vamos ver um filme de terror!

            - Não! Olha que eu vou-me embora! – Disse eu, sorrindo, fazendo notar que estava a brincar.

            Sorrimos os dois e ele olhou para baixo, como a pensar em algo.

            - O que foi? – Perguntei eu, preocupada.

            - Estou com medo.

            - De quê?

            Ele olhou para cima e suspirou.

            - De me estar a apaixonar por ti.

            Eu fui apanhada de surpresa. Fiquei alguns segundos que pareceram uma eternidade a olhar para ele.

            - Por que é que estás com medo? – Perguntei eu, sem pensar muito bem naquilo que estava a dizer.

            - Porque eu não te quero magoar.

            - Se realmente gostares de mim, nunca me magoarias.

            Ele engoliu em seco e de repente a nossa comida chegou. Enquanto comíamos, não falamos. Quando acabamos de comer, eu olhei para ele, analisando a sua expressão facial. Não consegui decifrar nada. Ele olhava para algo atrás de mim mas nem me virei para ver o que era, tinha medo do que quer que fosse encontrar. Estava sério e a pensar em algo. Não sabia o que fazer. O empregado voltou e recolheu os nossos pratos. Perguntou se queríamos sobremesa e eu respondi que não. Mateus olhou para o empregado e disse que não.


Maятa às 16:41

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1 comentário:
De francis marie a 14 de Setembro de 2012 às 18:07
Adorei!
No cinema vai acontecer alguma coisa? *o*
Vou ter de esperar para ver :b


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