Layout by:

Fresh Designs

Terça-feira, 11 de Setembro de 2012

Bad Boy ~ 6

            Olhando para a minha cara, vermelha como um tomate, ele sorriu outra vez com aquele ar atrevido.

            - Adoro o efeito que tenho em ti.

            - Que efeito?

            - Esse, de ficares envergonhada e vermelha.

            Se antes estava vermelha, então agora estava ainda mais. Rolei os olhos e comecei a andar no sentido do parque. Dei alguns passos e depois virei-me para trás, vendo que ele tinha ficado no mesmo sítio.

            - Então, vens ou não?

            Ele começou a caminhar na minha direção. Assim que chegou ao meu lado, comecei a caminhar, andando os dois lado a lado. Não falámos muito até chegarmos ao parque e nos sentarmos num banco de jardim.

            - Então, diz-me mais coisas sobre ti. A tua idade, coisas sobre a tua família, etc. – Pedi-lhe eu.

            - Bem, tenho 18 anos e a minha família… é uma história complicada.

            - Porquê?

            - Porque envolve demasiada informação.

            - Do que é que tu estás a falar?

            Ele olhou-me nos olhos e eu olhei nos dele. Vi que falar sobre isto lhe causava muita mágoa e dor, por isso decidi mudar de assunto.

            - Então e não vais à escola? Já acabaste o secundário, já estás na faculdade?

            - Sim, acabei o secundário e para o ano vou para a faculdade de direito. Quero assentar…

            - Assentar? A tua vida é assim tão complicada?

            - É. Tu não ias perceber.

            - Sabes, se vamos ser amigos, não podemos ter segredos.

            - Quem é que te disse que eu queria ser só teu amigo?

            Percebi a mensagem daquela frase e isso deixou-me um pouco desconfortável, por isso mudei de assunto.

            - Então e que profissão queres seguir?

            - Advogado. É complicado, mas eu gosto. E tu?

            - Eu o quê?

            - Diz-me a tua idade, coisas sobre a tua família, a escola, etc.

            - Eu tenho 18 anos. Os meus pais divorciaram-se quando eu tinha 13 anos. A minha mãe encontrou o Pedro e casaram-se à 6 meses. Sou filha única. Já acabei o secundário e não sei se quero ir para a faculdade. Ainda não sei bem a profissão que quero.

            Ele ficou a olhar para mim com ar de quem não ouviu nada daquilo que eu disse e antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele falou.

            - Já alguém te disse que és muito bonita?

            Eu sorri, timidamente, tentando não ficar vermelha, mas assim que vi aquele sorriso atrevido, soube que tinha falhado. Ele riu-se eu ri-me também, mas por razões diferentes. Ele rira-se de mim e eu ri-me porque estava nervosa. Quando ele viu que eu estava bastante atrapalhada, decidiu atenuar a situação.

            - Vamos embora? Vamos ao café, beber qualquer coisa…

            Levantamo-nos os dois e dirigimo-nos ao café local que ficava ali perto. Não falámos durante o caminho, talvez porque eu estivesse demasiado embaraçada para dizer alguma coisa e ele com medo de dizer mais alguma coisa que eu não gostasse. Mal chegámos ao café, o Mateus passou à minha frente e abriu-me a porta, deixando-me passar. Eu sorri-lhe, agradecendo, e entrei procurando uma mesa. Sentei-me numa mesa pequena e redonda ao pé da grande janela de vidro. Mateus sentou-se em frente a mim e olhou para mim com um ar preocupado. Eu fiquei algo confusa.

            - Estás bem? – Perguntou ele.

            - Sim, porque é que perguntas?

            - Eu sei que por vezes posso ser inconveniente mas não tenho intenção.

            - Não te preocupes, está tudo bem.

            Ele sorriu e eu sorri também. A empregada veio ter connosco e anotou os nossos pedidos. Um sumo de laranja para mim e um sumo de ananás para o Mateus. Não falámos enquanto as nossas bebidas não chagaram e quando finalmente já as tínhamos, Mateus começou uma conversa.

            - Ouve, Francisca, eu gostei bastante desta tarde. Talvez pudéssemos combinar alguma coisa para outro dia.

            - Sim, claro. Podíamos sair amanha à noite.

            - Claro. A típica saída de sexta à noite…

            Eu sorri. Acabámos as nossas bebidas e saímos do café. No caminho para minha casa, eu tentei saber mais sobre ele.

            - Quando nós nos conhecemos, naquele bairro, lembras-te, não lembras? – Perguntei eu.

            - Como é que eu podia esquecer?

            - Bem, eu fiquei a pensar se tu vivias lá. Vives?

            - Sim. Porquê?

            - É estranho. Tu és uma pessoa impecável e és super simpático. Porque é que vives num bairro daqueles? Não tem nada a ver contigo.

            A expressão facial dele ficou mais dura, zangada.

            - O que é que tu queres dizer com isso? Nem toda a gente que vive em bairros sociais é má pessoa. Odeio quando nos julgam…

            - Não era isso que eu queria dizer. Um bairro social é instável e vive-se num clima de medo e terror. Eu bem vejo nos filmes. Só não acho que seja a vida indicada para ti…

            - Não deves acreditar em tudo o que vês nos filmes…

            E depois disso eu não sabia o que mais dizer. Ele também não disse nada. Quando chegámos a minha casa, ambos nos dirigimos para a porta da frente e eu tirei as chaves da minha mala. Abri a porta mas não entrei. Virei-me para o Mateus e olhei-o nos olhos. Ainda tinha uma expressão carregada.

            - Desculpa. Eu não te queria ofender. – Disse eu.

            - Só não gostei da maneira como nos julgaste. A mim e a todos os que vivem naquele bairro. Nem tudo o que parece, é. Devias saber isso.

            - Desculpa. Não devia ter dito nada. Queres entrar?

            - Não. Tenho de ir. Amanhã ligo-te para combinarmos melhor a nossa saída.

            Ele inclinou-se, prestes a beijar-me, as nossas caras a centímetros de distância, a nossa respiração acelerada e os nossos narizes quase a tocarem-se, mas ele hesitou e acabou por me beijar na cara. Fiquei imóvel, vendo-o ir-se embora, com as mãos nos bolsos, a um passo regular e apressado. Eu entrei em casa, fechando a porta atrás de mim. Fui para a sala, pousei a mala no sofá e vi a pequena luz vermelha e piscar no telefone, que indica uma mensagem de voicemail. Agarrei no aparelho e marquei o número ouvindo a mensagem do início ao fim.

            “Francisca, é a Rute! Recebi o teu e-mail e estou preocupada contigo. Tu não podes ir sair com ele! Ele é um criminoso! Liga-me assim que puderes! Estou muito preocupada. Liguei para o telemóvel mas tu não atendeste. Espero que estejas bem. Queria também pedir-te desculpa por aquilo que eu te disse mas só estou a tentar proteger-te. Liga-me, por favor!”


Maятa às 16:23

Link do post | Comentar

2 comentários:
De francis marie a 11 de Setembro de 2012 às 19:40
Adorei!
Acho que a Rute está a ficar, tipo sei lá, um pouco paranóica .-.


De Maятa a 11 de Setembro de 2012 às 20:57
Mesmo! Eu inspirei-me bastante na fanfiction 'Danger' e é por isso que a Rute é assim. Se bem que eu exagerei um bocado... Estive a ler a tua fic 'Spy' desde o início e adorei! Uma tarde inteira a ler, mas não me arrependi! :)


Comentar post